Caminhada

Eduardo Suplicy

O petist Eduardo Suplicy (de paletó) caminha pelo Centro de Rio Preto, na segunda-feira (7). À noite, falou sobre a Renda Básica da Cidadania, em palestra na Unorp.  Foto de Sidnei Costa/Agência BOM DIA


STF e as cotas

O STF (Supremo Tribunal Federal) aprovou a cota para negros nas faculdades e universidades brasileiras, na semana passada. A votação foi unânime: 10 a 0. Porém, ao mesmo tempo que cometeram ato de inclusão, os magistrados são preconceituosos ao não aceitar manifestação de indíginas, que pediam que as cotas fossem distribuídas para todos os que não têm condições de chegar ao nível superior de ensino, ou seja, pobres.

É válida a ideia adotada no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (2003 – 2010) de reservar parte das vagas de ensino superior ao negros? Sim, mas não basta. O governo errou e o STF concordou com mais um ato falho que compartilha com a desigualdade. O certo, e já debatido pelo país, aponta que a solução democrática seria cotas para alunos com renda insuficiente para bancar estudos em universidades particulares.

Outro quesito que deveria ser exigido por parte do governo, é cobrar das reitorias o motivo que os “obriga” a elevar as mensalidades das faculdades (Nunca vi uma escola de ensino superior particular brasileira no ranquing das melhores, por exemplo). Na dinâmica atual, o retalho geográfico superado em meados do século 19 será desenhado neste século e a diferença de raças será o divisor de águas.


Momento errado

O livro do ditador Adolf Hitler (1889-1945), Mein Kampf (Minha Luta) será publicado até o final de 2015, na Alemanha, pela primeira vez após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), segundo informações da France Presse. O governo da Baviera, local onde o Nazismo teve sua ascenssão, disse que a publicação servirá para todos verem as ideais catastróficas de Hitler.

 A decisão de lançá-lo não vem em pior momento. Apesar de Alemanha não sentir os resquícios de uma crise financeira mundial (ninguém sabe como estarão em 2015) como outros países europeus, o incentivo em mostrar as ideias antihumanas do nazista pode inflamar os europeus a resgatar velhos métodos autocráticos para tentar resolver seus problemas.

Com a economia em declínio desde 2008, não há uma perspectiva que possa dizer que em 2015 teremos progressos na Europa. Hoje, sabemos, que as ideais de extrema-direita começam a surgir com mais força. Até mesmo a França, não anda querendo cumprir o que pregara: “Igualdade, Fraternidade e Liberdade”.

 O (por enquanto) presidente francês, Nicolas Sarkozy, já culpa descaradamente os estrangeiros pela crise financeira mundial. Em Paris, Sarkozy afirmou que o pais não pode “continuar recebendo tantos estrangeiros”. Na Itália, enbarcações com africanos (entre eles mulheres e crianças) foram barrados de aportar. Na Espanha, idem.

A decisão de resgatar ideias bizarras de um louco, traz junto a chance de ampliar a intolerância contra os não europeus. Vale lembrar que, em 1924, quando Hitler escreveu seu livro durante o tempo em que ficou na prisão, suas ideias se propagaram com rapidez, após a publicação. Durante seu regime ditatorial, grupos minoritários (Judeus, negros, homosexuais, entre outros) foram bruscamente perseguidos.

 A justificativa do governo bávaro é infundada. Todos, desde o julgamento de Nuremberg, sabem das atrocidades cometidas pelos nazistas. A não ser que, o foco principal com a publicação do livro seja uma repetição das calamidades ocorridas na primeira metada de século passado.


Putin (nho)

Após discursar com lágrimas de crocodilo para cerca de 100 mil pessoas em uma Moscou fria à noite, Vladimir Putin, atual primeiro-ministro russo, demonstrou como reage quando é desafiado. Autocrático, o presidente eleito com mais de 60% dos votos colocou a polícia nas ruas para abafar um prostesto de oposicionistas, ontem. Estes, afirmam que houve fraude eleitoral.

É certo que Putin não está no Kremilin, mas seus poderes são evidentes porque o atual presidente, Dmitri Medvedev é de seu partido. Putin e Medvedev são uma espécie de Lula e Dilma russos.

Após oito anos no comando do governo russo, Putin conseguiu eleger o pupilo Medvedev para ocupar a lacuna de quatro anos, já que a Constituição não permite um presidente ficar no poder por mais de dois mandatos.O chefe do poder Executivo russo escolhe quem ficará no cargo de primeiro -ministro. Medvedev “escolheu” Putin, em 2008.

Agora, Putin foi eleito é ficará seis anos no poder (antes eram mandatos de quatro anos). Pode chegar a ficar 12 anos no comando, caso tente a reeleição (o que não é difícil) fora os outros oito anos.E quem será o primeiro-ministro? Fácil, Dmitri Medvedev.

A ascensão econômica da Russia no começo do anos 2000 é atrelada ao fato de Putin estar no poder. Com o fim da URSS, Putin, ex-agente da polícia secreta, KGB, ocupa cargo em um país que deveria ser (aprender) ações democráticas. Mas, com suas atitudes, ele demonstra que ainda existem resquícios em seu cérebro de uma era Fria, que foi derrotada.


A eleição sem propostas

Os principais assuntos em um debate eleitoral são as investidas contra o concorrente. Este ano em São Paulo, com a decisão de José Serra em concorrer à prefeitura, as discussões estão traçadas para a hora do embate televisivo.

Serra terá de explicar o motivo que o levou a assinar documento – em 2004 – dizendo que não renunciaria cargo no poder Executivo para se candidatar ao governo estadual. Ninguém vai deixar de lembrar que Celso Russomano (PRB) é filhote de Paulo Maluf (PP). O petista Fernando Haddad tem a missão de dar boas desculpas por conta dos sucessivos erros na prova do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) e o “kit-gay”.

Correndo por fora, Gabriel Chalita (PMDB, até quando?) vai ser lembrado por acender velas para todos os santos. Netinho de Paula (PCdoB) receberá críticas (mesmo que indiretas como recebeu do tucano Aloysio Nunes Ferreira na disputa pelo Senado em 2010) por ter batido em sua mulher enquanto eram casados. Paulinho da Força (PDT), Soninha (PPS), D’Urso (PTB) e Levy Fidélix (PRTB) também correm por fora.

Mas e as propostas por uma São Paulo melhor? Como sempre, são mais utópicas que o próprio comunismo pregado pela antiga URSS. Em um debate político, quem mais ataca vence. É a eterna busca pelo poder.


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